Sinto mais frio na barriga quando observo uma “foto-idéia” do que quando admiro uma “foto-bela”. Nada contra, mas estou numa fase em que preciso de mais do que uma foto bonita para sentir meu coração batendo. Numa tarde cheia de zapping digital conheci um fotógrafo que fez meus olhinhos brilharem, Stephen Gill. Sua visão tem uma ironia comparável ao sagaz olhar de Martin Parr. Deve ser mal de inglês. Gill também é britânico. As imagens acima (primeira fileira de cima para baixo) mostram a série de “guardas de museus”. Elas mostram as quase esculturas que os cuidadores de salas com obras de arte se transformam. Nas imagens da fileira do meio, Gill analisa “pedestres perdidos”, munidos de mapas e guias, sedentos por acharem seus rumos. Na última fileira, tem a série “origami feito por anônimos”, desenvolvida por Gill ao longo de três anos. Essas imagens mostram a ponta do papel-higiênico que muitas vezes encontramos dobradas em banheiros de hotéis! Mas por que alguém passa três anos fotografando papeis-higiênicos pelo mundo? Gill tem a resposta na ponta da língua. Para ele essas imagens mostram mais do que o papel. Elas revelam o comportamento de uma sociedade, mostram pessoas. Em uma crítica do jornal francês “Le Monde”, além de ser chamado de fotodocumentarista, Gill foi chamado de antropólogo. Eu concordo. Por essas e outras é que eu acredito que o tema para um ensaio fotográfico pode estar mais perto das câmeras fotográficas do que imagina a nossa vã filosofia.
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