A montanha dos sete abutres

O que fazer no caso Isabella? Esse foi o tema da primeira coluna publicada por Carlos Eduardo Lins da Silva, o novo ombudsman do jornal “Folha de São Paulo”. Lins da Silva escreveu que em alguns momentos a Folha se equiparou a veículos de comunicação que os próprios colunistas do jornal condenam por cobertura sensacionalista. De uma semana para cá é comum se falar no exagero da cobertura do caso. No Fantástico de ontem uma reportagem recriminava um vendedor de algodão doce que se aproveitava da situação para comercializar seu produto, mas obviamente o mesmo Fantástico acha linda a entrevista que fez com o casal acusado na semana passada. Hoje os jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e O Globo vieram praticamente com a mesma foto, uma boneca sendo jogada pela janela do edifício London (veja aqui em nota do BlueBus). E novamente a pergunta que não quer calar é “o que fazer no caso Isabella?” O Garapa, coletivo de produção jornalística audiovisual, deu uma boa resposta a essa questão. A réplica veio em formato multimídia. Quase não há palavras na apresentação. O som, o ritmo e as imagens em P&B contam a história da cobertura do caso Isabella como num filme noir. Nesse caso a apresentação audiovisual falou mais do que as mil palavras que foram ditas sobre a cobertura exagerada da imprensa. Os fotógrafos do Garapa estão fazendo um ótimo trabalho e desbravando terreno nessa nova linguagem. Vale a pena conferir o trabalho deles (clique aqui).

O título desse post, “A montanha dos sete abutres“, é nome de um filme escrito e dirigido por Billy Wilder. O filme conta a história de um repórter que se aproveita da tragédia alheia para impulsionar sua carreira.

Em tempo: esse filme foi indicado por Lins da Silva em sua coluna de ontem.

5 Comentários

  1. Antes de tudo, agradeço pelo post e cada vez mais torço pelo nossa parceria! Depois confesso que amo filmes noir e era tudo que pensava quando vi aquela chuva contrastando em contraluz… e as roupas translúcidas, tudo muito melhor do que a pauta de porta de delegacia. Ainda virão outras pautas sobre pautas e ainda teremos muitas críticas aos que nos dão mais ou menos espaço. Melhor é saber que isso reverbera em algum lugar e volta pra fazer eco de novo

  2. Nesses períodos tenho usado plasil em dose dupla. Principalmente quando aparece os asnos da Record e da Globo. Ainda bem que tenho controle remoto na mão, alí, prontinho prá deletar os infelizes das minhas vistas.
    Em tempo: gostei do mote do orgão condenar alguém por oportunismo, mas usando do escapismo para continuar falar da merda do assunto.
    Em tempo 02: a ralé gosta… principalmente estas ordas de desocupados que vendem votos e prostituem a família. É saiu uma pesquisa acusando a classe média de estar inserida nas legiões vendedoras de votos. E agora? Por isso que esta merda de mídia tem audiência e Brasília é covil de bandido oficial. Não tem quem represente pessoas do bem. Ah Mariguelas e Lamarcas, onde andarão…?

  3. Realmente muito bom o trabalho!
    Referencial!

  4. [...] o nosso trabalho. Começou na comunidade fotográfica, com os blogs 28mm, do Henrique Manreza, Granulado, da Carla Romero, e Lost Art, de Louise Chin e Ignácio Aronovich. “A iniciativa merece [...]

  5. [...] o nosso trabalho. Começou na comunidade fotográfica, com os blogs 28mm, do Henrique Manreza, Granulado, da Carla Romero, e Lost Art, de Louise Chin e Ignácio Aronovich. “A iniciativa merece [...]


Comentários RSS URI identificador do TrackBack

Deixe um comentário